Por: Tiago Cordeiro
Horóscopo do dia: pessoas de Touro e de Gêmeos
correm mais riscos de ter um certo problema neuronal. É o que diz o
psiquiatra Erick de Messias, cearense e pesquisador da Universidade de
Maryland, nos EUA. Depois de estudar pacientes de hospitais públicos de
Mossoró, no Rio Grande do Norte, Erick constatou: “Quem nasce 3 meses
depois do período de chuvas no Nordeste, que acontece entre fevereiro e
março, está mais propenso à esquizofrenia”. Essa foi a primeira pesquisa
feita no Brasil sobre a influência do mês de nascimento na saúde. Já no
hemisfério norte, onde os estudos a respeito estão concentrados, não
faltam evidências de que a coisa funciona.
Pesquisas mostram que os europeus e americanos que nascem no final do
inverno de lá, entre fevereiro e abril, têm um risco 5 a 10% maior de
desenvolver esquizofrenia, uma doença mental que causa mudanças bruscas
de comportamento e afeta a percepção da realidade. Para os que chegam ao
mundo um tempinho depois, entre abril e junho, o risco é outro:
anorexia. A chance de desenvolver a falta total de apetite é 13% maior
nesses casos.
Por que isso acontece? Boa pergunta. “Temos certeza de que o mês de
nascimento é importante. Só que ainda não sabemos por quê”, diz o
brasileiro. Mas existem teorias, e elas não têm nada a ver com os
astros, claro. A mais aceita diz que as gestações que começam no verão
do hemisfério norte obrigam as mulheres grávidas a atravessar o rigoroso
inverno de lá com o bebê a bordo. Desse jeito o feto fica mais exposto à
gripe, o que poderia atrapalhar a formação do cérebro dele. Essa é a
tese em que Erick bota fé – e que explicaria o caso nordestino, já que
os surtos de gripe por lá estão relacionados à estação das chuvas. Novas
pesquisas, porém, sugerem outra causa: a falta de sol diminuiria a
quantidade de vitamina D no organismo da mãe. A relação entre falta do
nutriente e a esquizofrenia já foi observada em ratos, pelo menos.
Para a anorexia, a hipótese é outra: mães anoréxicas engravidariam
mais facilmente no verão, e os filhos delas são geneticamente mais
propensos a desenvolver o problema. É o que acredita Beth Watkins,
especialista em distúrbios alimentares do Hospital Médico St. George, em
Londres. Para ela, o inverno demanda uma dieta mais calórica, coisa que
uma anoréxica não faz. Então a mulher fica mais fraca, e menos fértil.
Já no período de calor ela tem mais chances de engravidar. Os astros não
mentem.
Texto Original: Super.abril