Por João Mello Bourroul
Cientistas da Universidade de Granada, na Espanha, chegaram à
conclusão de que é possível quantificar o calor de uma paixão, ao melhor
estilo das músicas que embalam as playlists de casais apaixonados. No
experimento, 60 voluntários — assumidamente apaixonados — receberam
imagens de seus namorados (as) enquanto eram analisados por uma câmera
responsável por verificar a temperatura do organismo.
Os pesquisadores observaram, então, um fenômeno que pode ser definido como a expressão física da paixão: a temperatura da região das bochechas, mãos, boca, peito e genitália subia entre 1°C e 2°C.
Em outro teste, os participantes ficavam com as mãos submersas em água a
0°C por dois minutos, sendo filmados pela câmera térmica no momento em
que secavam as mãos. Os voluntários que olhavam para imagens de
seus amados recuperavam a temperatura corporal considerada normal em
quatro minutos, dois minutos a menos que o tempo esperado.
O estudo faz parte de um projeto que pretende mapear as regiões de
calor em situações de diferentes expressões das emoções humanas, como
tristeza, alegria, raiva e inveja. “A temperatura corporal é sensível ao estado psicológico e emocional da pessoa”,
afirma Emilio Gómez, professor do departamento de Psicologia da
Universidade de Granada e responsável pela supervisão da pesquisa. “Nossas mãos, por exemplo, esfriam com o medo, mas são aquecidas pela raiva.”
A paixão, aliás, também pode moldar seu sistema imunológico: uma pessoa
que convive por muito tempo com outra pode ter até 50% da variação de
seu sistema imunológico reduzida. Em um trabalho desenvolvido pelas
universidades de Cambridge, no Reino Unido, e de Leuven, na Bélgica, os
cientistas afirmaram que isso ocorre por conta das semelhanças do estilo de vida compartilhado pelos casais, que vivem em um mesmo ambiente e possuem hábitos semelhantes. Mas nada de dividir a escova de dentes, combinado?
Texto Original: Revistagalileu