O modo como a nossa personalidade influencia nossa vida e saúde tem sido cada vez mais objeto de investigação ao longo dos últimos anos. Houve a sugestão de que, por exemplo, ser uma pessoa da manhã ou uma coruja da noite pode revelar muito sobre a nossa personalidade. Mas cientificamente falando, o que nós realmente entendemos por nossa “personalidade”?
A personalidade pode ser definida como
um conjunto de traços psicológicos distintos que permanecem
relativamente constantes ao longo do tempo e, portanto, moldam a maneira
como reagimos ao mundo que nos rodeia. Essas características incluem a
extroversão / introversão (quão sociáveis nós somos), neuroticismo
(tendência à negatividade) e consciência (que inclui quão cautelosos
somos e como fazemos nossos planos). Todos nós sabemos onde estamos
nessas várias escalas e como elas afetam o nosso círculo de amizade, a
forma de realizarmos o nosso trabalho e até mesmo a forma como lidamos
com a adversidade – mas elas podem realmente afetar a nossa saúde?
Em um estudo recente, Kavita Vadhara e
colegas correlacionaram diferentes traços de personalidade com
respostas imune biológicas – ou seja, como o nosso corpo se prepara para
lidar com ameaças ao nosso sistema imunológico. E os resultados de suas
pesquisas levaram a alguns insights interessantes sobre como o tipo de
personalidade pode afetar o nosso sistema imunológico.
A equipe pediu a 121 estudantes
saudáveis para completar questionários de personalidade para avaliar,
entre outras características, a extroversão, o neuroticismo e a
consciência. Eles também recolheram amostras de sangue para investigarem
a atividade de 19 genes diferentes envolvidos na resposta imune
inflamatória, bem como genes envolvidos na defesa contra vírus.
A inflamação é uma resposta
imunológica que ajuda a combater as infecções do corpo e acelera a
recuperação da lesão. Os dois efeitos mais significativos que Vedhara
notou foi que a extroversão estava associada ao aumento da expressão de
genes pró-inflamatórios, enquanto a conscienciosidade teve o efeito
oposto (diminuição da expressão de genes pró-inflamatórios). Os
resultados sugerem que os extrovertidos têm uma maior capacidade de
lidar com infecções e lesões, mas têm desvantagens no aumento dos níveis
de inflamação, incluindo uma maior probabilidade de desenvolver doenças
auto-imunes.
Antes de gritar de alegria que a sua
personalidade extrovertida combate melhor as doenças, é importante notar
que estes resultados são apenas uma observação de uma população de
pessoas, e não uma previsão sólida de como um indivíduo irá lidar com a
doença. De fato, os genes investigados neste estudo representam apenas
uma pequena percentagem de genes importantes na resposta imunológica. É
possível que em pessoas introvertidas, altamente conscientes, outras
áreas da resposta imunológica podem ser muito mais fortes. Isto continua
a ser testado.
O que está influenciando o que?
Uma das perguntas mais interessantes levantadas por este estudo é o que está influenciando o que: poderia o sistema imunológico influenciar o nosso comportamento? Bem possível. Verificou-se que pequenas moléculas chamadas citoquinas são liberadas das células imunológicas e parecem ser capazes de atravessar a barreira sangue-cérebro e, por conseguinte, afetar a atividade das células cerebrais. Por exemplo, algumas citocinas podem influenciar a produção de moléculas importantes do cérebro, tais como a serotonina, e este processo tem sido destacado como importante na depressão.
Uma das perguntas mais interessantes levantadas por este estudo é o que está influenciando o que: poderia o sistema imunológico influenciar o nosso comportamento? Bem possível. Verificou-se que pequenas moléculas chamadas citoquinas são liberadas das células imunológicas e parecem ser capazes de atravessar a barreira sangue-cérebro e, por conseguinte, afetar a atividade das células cerebrais. Por exemplo, algumas citocinas podem influenciar a produção de moléculas importantes do cérebro, tais como a serotonina, e este processo tem sido destacado como importante na depressão.
Não se sabe se as diferenças na
expressão dos genes inflamatórios observados entre extrovertidos e
introvertidos poderiam estar ligadas na produção de citocinas desta
maneira, mas é uma possibilidade interessante.
Seja qual for a causa destas
observações interessantes, o estudo Nottingham é um marco emocionante na
investigação em curso sobre a relação entre personalidade e saúde, e o
papel que o nosso sistema imunológico tem nisso. O fato de que os traços
de personalidade podem afetar nossa resposta inflamatória, ou
vice-versa, poderia ter um impacto significativo na forma como tratar a
doença no futuro.
Texto Original: Psiconlinews