Se você sofre de síndrome do pânico e ansiedade, você não está sozinho. Veja abaixo relatos de pessoas que passaram pelo mesmo problema de síndrome do pânico e ansiedade, e o que fizeram para superar:
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Eu tive meu primeiro ataque de pânico quando eu tinha 21 anos de idade. Eu estava no shopping. De repente, as luzes pareciam claras demais, tudo começou a pulsar intensamente e eu fiquei com muita náusea.
Foi tão grave que eu acabei caindo de joelhos e desmaiando no corredor de uma farmácia. Quando eu acordei, eu estava coberto com caixas de fraldas.
Eu tive muitos outros “episódios” de pânico depois disso, mas como eles eram fisiológicos eu não me dava conta de que era síndrome do pânico até meu médico me diagnosticar com transtorno do pânico.
Até então, eu estava num abismo profundo de ansiedade ao ponto de não conseguir mais sair de casa sem desmaiar.
Eu acabei desenvolvendo agorafobia aguda. A ansiedade era tão constante que eu não podia ver ninguém. Passei por tratamentos com antidepressivos, comecei psicoterapia, e embarquei em uma desgastante estratégia de me expor em situações às situações que me davam pânico diariamente para tentar me acostumar com estas situações.
No total foram quatro anos e duas recaídas para chegar ao ponto de poder voltar a trabalhar. Mas funcionou. Agora eu viajo livremente e faz anos que eu não tenho um ataque de pânico, apesar de ainda sofrer com depressão e ansiedade generalizada.
Pessoalmente, eu descobri que saber o que está acontecendo fisicamente durante um ataque, além de acreditar no fato de que vai passar, me ajudou a superar essa síndrome do pânico.
Mas o que eu poderia mesmo ter usado era as experiências de outras pessoas com o mesmo problema de pânico e ansiedade, e saber que eu não estava sozinho nessa luta. Por isso que eu reunir esses estes relatos para ajudar qualquer pessoa que está passando por isso agora.
Roberto
-2-
Parece que o mundo vai acabar em cima de mim. Qualquer barulho fica mais pronunciado e faz minha cabeça doer. Às vezes eu sinto dificuldade de concentrar, as vezes eu fico desorientado. Meu coração bate feito louco e eu fico auto consciente da minha respiração.
Às vezes sinto agulhadas nas minhas mãos ou uma tensão repentina nos meus ombros. Outras vezes me dá um medo intenso. Meus ataques de pânico passam rápido, mas chegam sem avisar.
Eu sei que eventualmente eles vão embora, assim isso me traz um pouco de conforto.
Miranda
-3-
Tive síndrome do pânico em diferentes momentos da minha vida. Eu me lembro que quando adolescente, eu estava em uma loja de videogames quando de repente eu simplesmente fiquei cego.
Logo em seguida, veio o pânico! Eu sentei na calçada e as coisas voltaram ao normal depois de alguns minutos, mas aquilo foi aterrorizante enquanto durou.
Depois disso eu passei a perceber o que me causava pânico: estresse e preocupação, pensamento acelerado, e a minha incapacidade de sair da minha própria bolha, ou algum trauma emocional.
Eu acho que síndrome do pânico não é o nome apropriado. Esse nome sugere que é o pânico que causa o pânico, quando na verdade o pânico é causado por algo totalmente diferente que ocorre bem antes.
Mariana
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Depois de 25 anos lidando com síndrome do pânico, eu tentei explicar minha situação para algumas pessoas. Tem gente que acha que “ansiedade” quer dizer “preocupação”, mas meus ataques se manifestam com efeitos físicos extremos: Vertigo, tremedeira, coração acelerado e tontura.
Anônimo
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Quando eu menos espero, já estou no meio desse pesadelo. Eu fico quente e parece que vou desmaiar, é preciso sair de onde quer que eu esteja o mais rápido possível. Geralmente um vagão de metrô.
Normalmente depois que eu estou em um lugar seguro eu consigo saber que foi um ataque de pânico, mas eu ainda sinto o mesmo suor frio, palpitação no coração e uma sensação de querer chorar.
Quando eu reconheço como estou me sentindo e o que está acontecendo, eu meio que falo comigo mesmo para sair do ataque, pelo menos no tempo que leva para conseguir chegar em um lugar seguro.
Samuel
-6-
Eu me lembro do meu primeiro ataque de pânico muito bem. Eu estava passando por uma separação difícil e tinha acabado de chegar em Congonhas. Eu estava andando sozinha e de repente as luzes ficaram mais claras e parecia que havia muito mais gente em minha volta.
Eu me senti pequena e vulnerável, como se algumas dessas pessoas pudessem me fazer mal se quisessem. Meu joelho dobrou e eu entrei em colapso, tentando me segurar na parede do corredor.
Achei que fosse morrer.
Isso apareceu do nada e nunca passei por nada parecido na minha vida antes.
Daquele dia em diante eu comecei a ficar preocupada o tempo todo com cada detalhe da minha vida, especialmente quando eu pisava o pé fora de casa.
No ponto de ônibus eu ficava conversando comigo mesma e falando sobre o que poderia acontecer se eu não conseguisse entrar no ônibus. Eu iria me atrasar, perder o emprego… E isso ia crescendo e eu ia ficando cada vez mais apavorada.
Tudo isso acontecia logo de manhã, todo dia, e continuava em cada detalhe que você puder imaginar no decorrer do dia. Não demorou muito para eu parar de sair de casa.
O que funciona para mim agora é aceitar que eu estou tendo um ataque de pânico, reparar e reconhecer como eu estou me sentindo sem julgamentos, respirar da forma como meu corpo quer respirar, e tentar pensar o que pode ter desencadeado o ataque de pânico no ambiente que eu estava no momento.
Eu agora aceito o pânico como parte da minha própria reação normal à certas coisas, e para mim isso tem sido o segredo para viver uma vida mais normal.
Quando eu olho para trás, quando eu ainda era criança, eu estava sempre muito preocupada e tinha muita ansiedade sem identificar o motivo.
Apesar de ter um pouco de síndrome do pânico às vezes, eu não me culpo por isso, isso faz a situação piorar.
Angélica
-7-
Meu coração parece que quer pular para fora do peito e o mundo em minha volta fica embaçado.
Geralmente dá a impressão de que eu vou morrer e só o fato de respirar já dói meu peito e garganta. Às vezes eu ouço uma pulsação na minha cabeça, que parece fluir por todo o meu corpo. Eu sempre choro e grito por ajuda, o que provavelmente só piora.
Recentemente eu tive um monte de ataques de pânico no trabalho. Isso me fez acreditar que todo mundo no escritório estava achando que eu estava ficando louco, e por pensar assim eu me sentia cada vez mais envergonhado e humilhado.
Um desses episódios de pânico me fez desmaiar, e eu acordei só depois de 20 minutos com uma dor de cabeça terrível e sem nenhuma ideia de onde eu estava.
Anônimo
-8-
A primeira vez que eu tive ataque de pânico eu pensei na hora que eu estava tendo um ataque cardíaco.
Meu coração palpitava forte do nada. Eu pensava na hora que eu ia morrer e que eu precisava chegar urgente no pronto-socorro, seja para me salvar ou para morrer em um lugar que não fosse público e humilhante.
Esse pensamento tinha muito a ver com meu medo de passar vergonha em público. Mesmo quando eu passei a saber que ataques de pânico não matam, ficar doente em público era um grande medo para mim.
O pós ataque, ou seja, os sintomas que vem depois de um ataque de pânico, são tão ruins quanto o próprio ataque. Uma fusão apavorante de depressão, exaustão e humilhação.
Eventualmente eu fui diagnosticado com transtorno da ansiedade generalizada aguda. Conforme eu fui começando a me sentir melhor e a ideia de possivelmente conseguir socializar novamente amadureceu, eu sabia que o único jeito disso acontecer era confrontar minha síndrome do pânico e ansiedade, me colocando em todo o tipo de situação.
Arlete.
-9-
Você tem uma sensação constante de mal-estar. Tipo uma neblina na parte de trás da sua cabeça e um aperto no peito. Está tudo bem. Você está acostumado com isso.
De repente, por alguma razão ou até mesmo sem razão nenhuma, o aperto no peito fica mais forte e sua cabeça fica grogue.
Seu coração palpita mais rápido na tentativa de se defender do perigo e sua respiração fica rasa na medida que você tenta desesperadamente respirar.
Seu pescoço contrai e o seu peito contrai e o seu coração quase pula para fora do peito e sua cabeça recebe marteladas e você tenta segurar em alguma coisa.
Seu corpo inteiro sente de tudo e nada ao mesmo tempo e a única coisa que você quer é sumir, sumir de você mesma.
Joana
-10-
Síndrome do pânico para mim é como uma versão mais forte dos meus sintomas de ansiedade. Eu consigo sentir o pânico crescendo, eu consigo me ver indo de ansiosa para totalmente apavorada com todos os sintomas que vem junto até chegar um ponto de não dar mais conta fisicamente.
Tudo começa com pensamentos bem claros, definidos, e em seguida meu cérebro começa a ficar tonto, porque eu estou pensando tão rápido que não consigo me segurar.
Depois meu coração começa a bater rápido, como se estivesse sussurrando em vez de batendo. Eu tenho a tendência de receber ondas quentes e frias de náusea passando pelo meu corpo inteiro, isso faz meu corpo suar como louco, e meu estômago dói e minhas mãos tremem.
Me sinto como se não conseguisse respirar e tontura piora. Nesse ponto eu já não consigo mais me manter de pé. Me sinto como se todo o sangue do meu rosto evaporasse e a única coisa que vem na minha cabeça é o medo de desmaiar ou entrar em colapso.
Ana
-11-Meu primeiro ataque de pânico aconteceu sete anos atrás. Eu simplesmente acordei, pensei em ir trabalhar, e de repente parece que um cobertor grande e pesado cai sobre mim e começa a me sufocar.
Eu não entendia o que estava acontecendo, e comecei a chorar porque eu pensava em tentar levantar e ir para o trabalho, encarar as pessoas e fingir que estava tudo bem, mas isso parecia simplesmente a coisa mais aterrorizante do mundo.
Eu liguei para o meu médico e ele me acalmou um pouco e me disse para descansar um pouco e depois de um tempo eu me senti um pouco melhor. Marquei uma consulta com um psiquiatra e ele me explicou o que estava acontecendo comigo.
Eu estava sofrendo com uma leve depressão naquela época, mas isso era outra coisa, esse pânico todo era muito extremo.
Anônimo
-12-Eu estava sentado na sala de aula para fazer a prova. Enquanto eu lia as perguntas, por um momento eu contemplei a possibilidade de não passar na prova, e foi aí que um ataque de pânico me acertou. Eu senti minha cueca ficar molhada. Eu não fiz xixi, eu suei como nunca antes…Minha respiração ficou curta e eu comecei a perder o equilíbrio enquanto ainda estava sentado.
Eu me lembro de ter deixado a caneta cair, fechar os olhos e tentar dizer a mim mesmo que ia dar tudo certo. Eu pressionei meus olhos com os dedos para tentar massageá-los. Quando eu me acalmei um pouco, eu fui para o banheiro, lavei meu rosto… E depois de um tempo eu voltei ao normal.
Kalil
-13-Não importava onde eu estava segundos atrás. Às vezes eu estava fazendo algum trabalho no escritório, as vezes eu estava andando em uma estação de metrô lotada, ou até descansando em casa… Mas de repente parece que eu estou 100 metros debaixo d’água.
Eu reparei nos sintomas físicos primeiro. Meu coração bate com muita força, sem ritmo. Os músicos dos meus braços e pernas tencionam muito, minhas mãos começam a tremer, e eu acabo esquecendo de respirar. Cada respiração é uma luta, ficando cada vez mais difícil de respirar.
O mundo externo desaba em minha consciência. Mesmo com meus olhos fechados e as mãos na cabeça, cada percepção fica completamente opressiva.
Um monte de coisas acontece tudo de uma vez. Todo pensamento é seguido de uma sensação esmagadora de fracasso.
Eu não consigo enxergar de fora do pânico e o pânico parece durar uma eternidade. Daí depois, lentamente, bem lentamente, tudo começa a voltar ao normal, mas eu só fico pensando no próximo ataque.
Anônimo
-14-Quando eu tenho um ataque de pânico parece que meu cérebro sai do meu corpo, parece que os dois não estão conectados. Me sinto como se estivesse flutuando e de repente a gagueira começa. Eu simplesmente não consigo completar uma frase com coerência.
Depois disso, meu cérebro entra em modo “teia de aranha”, um milhão de pensamentos, a maioria apavorante, começa a aparecer e se espalhar.
Tudo isso acontece enquanto eu tento falar e só sai gagueira. Meu Deus, isso é o pior. Geralmente dura cerca de 10 minutos.
Eu tenho que tentar me acalmar, mas parece impossível. Porém, sempre há uma luz no fim do túnel.
Minha síndrome do pânico geralmente vem com agorafobia. Por um bom tempo, eu evitei lugares lotados.
Com a ajuda de remédios, eu consegui administrar esses transtornos de dois anos para cá. Eles ainda acontecem, mas com uma frequência bem menor.
Erica
Fonte: Ansiedadepanico