Sabe, eu nunca tive um caso grave de transtorno mental.
A leve Síndrome do Pânico e a Ansiedade que tive não me roubaram 10, 20 anos de vida como aconteceu com tantas outras pessoas que conheço que adoeceram ainda criança.
Eu sou o que os médicos chamariam de “normal” (mesmo sabendo que de normal eu não tenho nada, graças a Deus).
E justamente por isso eu me considero a melhor pessoa pra falar sobre recaídas do pânico e da depressão.
“Ahh, se liga! Você não faz ideia o que é isso, só quem passou sabe”.
É verdade, eu não sei.
Por isso eu vou te ajudar a entender o que NÃO é uma recaída.
Então se você tá vendo a maldita da recaída bater à sua porta, antes de se desesperar achando que já vai ter que voltar a tomar remédio, aumentar a dose ou algo assim, leia ESTE POST até o final!
Pode ser que você descubra que aquilo que você tá chamando de recaída na verdade é…
…apenas você sendo um Ser Humano.
Então vamos lá: as 3 verdades que você nunca imaginou sobre as famosas recaídas do Pânico e da Depressão:
#1 Cuidado: a falsa recaída anda solta
Sabe aqueles dias que você preferia nem ter acordado?
O trabalho não rende.
Tudo é difícil (até a coisa mais estúpida como juntar o lixo de casa se transforma numa novela mexicana).
A única coisa que você pensa é: dormir e rezar pra acordar melhor no outro dia.
Eu não tenho uma depressão (ou doença da mente) mas sei o que é isso.
E quando você sente que regrediu em lidar com coisas que você já tinha aprendido a tirar de letra? Tipo:
Não ter dor de barriga antes de uma apresentação em público ou não sucumbir a um interminável (e furioso) diálogo mental por causa de um comentário maldoso de um familiar.
Eu não tenho uma depressão (ou doença da mente) mas sei o que é isso.
Afinal, meu amor, se eu fosse naturalmente uma monja tibetana eu não teria ido procurar o Yoga com apenas 19 anos de idade por quase morrer de taquicardia aproximadamente toda manhã, né?!
Mas você pode ter praticado 100 anos de Yoga e ainda assim terá dias que simplesmente você não consegue sentir nem uma fagulha da bendita paz interior.
Do olhar torto do atendente da padaria à simpatia do seu vizinho no elevador, TUDO te irrita e por dentro a sua vontade é matar um.
Grrrrrrrrrr eu sei como é… eu sei bem….
Agora eu te pergunto: será que quando me sinto assim eu penso que estou tendo uma recaída da Síndrome do Pânico ou qualquer outra doença da cachola?
Meu amor, sinceramente, “recaída” é a última palavra que passa pela minha cabeça.
Porque hoje eu me conheço suficientemente bem pra chamar isso de outra coisa.
Sabe do quê? Eu sendo apenas um Ser Humano!
#2 A recaída é um movimento da cura
Eu percebo que a maior parte da aflição das pessoas quando elas sentem que estão tendo uma “recaída” é porque elas tem uma expectativa ilusória do que é cura (e do que é ser um ser humano “normal”).
Pra você saber se o que você está tendo é uma recaída ou se é apenas você sendo um ser humano, avalie com sinceridade:
Qual a intensidade e duração dos seus sintomas?
Quão avançado você está no autoconhecimento?
Você tá fazendo a sua parte, comprometido em se pegar pra criar?
Tipo: eu sei que pela minha natureza se eu não praticar Yoga e meditar todo dia, ou se eu trabalhar em lugares e entre pessoas que não me fazem bem, eu vou ficar uma pilha de nervos…
…E essa ansiedade, se eu não cuidar, mais dia menos dia vai me adoecer.
E por favor, não vamos idolatrar a tal da cura.
Porque terá dias que, mesmo eu fazendo a minha parte pra me aprimorar como pessoa e já ter aprendido muita coisa neste processo, simplesmente eu não vou estar bem.
Vai ter dias que eu vou querer esmigalhar o Fandangos dentro do saquinho, pra não socar a cara do atendente mal humorado da padaria.
Ou que eu vou me deparar com situações e pessoas que eu não sei lidar e que vão me tirar do eixo (mesmo que eu venha trabalhando isso dentro de mim há muito tempo).
E isso é perfeitamente normal!
Porque eu sou apenas um Ser Humano em aprendizado. Um ser humano em cura (sim, mesmo sem transtorno mental algum! Entende?).
Super Dica
É claro que existe uma diferença enorme entre enfrentar os altos e baixos naturais da vida de um ser humano (mesmo curado de um transtorno da cachola) e ter recaídas de fato do transtorno.
Afinal, quando ainda estamos dodóis a intensidade dos sintomas é muito mais forte e eles duram mais do que apenas “um dia ruim” (aí sim é uma recaída que você precisará da ajuda do seu médico e terapeutasss).
Mas… mesmo dentro da recaída da doença existe uma recaída que é sinal de cura e se este for seu caso, agradeça a ela!
#3 A recaída te aproxima da cura
Ouso dizer que sem recaída não há cura*. Porque ela é sinal de que você parou de esconder a sujeira debaixo do tapete e escancarou ele de uma vez!
Se você tá fazendo a sua parte (por exemplo: tá buscando terapia, tá tentando melhorar o estilo de vida, tá se esforçando pra se pegar pra criar) então essa recaída não é um passo atrás.
Pelo contrário! A recaída, quando a gente tá consciente do processo de cura, é sinal de melhora.
Porque ela traz novos aprendizados sobre si mesmo, aspectos que você ainda precisa trabalhar e que te deixarão mais forte pra seguir em frente.
O que quero te dizer é que cair faz parte, porque o caminho da saúde é cheio de altos e baixos mesmo. Então vá se acostumando com essa ideia.
Caiu? Se perdoe, levanta e sacode a poeira!
A cura não é tipo uma galgada ao primeiro lugar do pódio, sabe? Que você luta pra subir e quando chega lá, pronto! Mission Accomplished!
Nãoooo. A cura tá muito mais pra onda do mar: é um movimento, é uma eterna busca (lembra da música do Lulu Santos? “Num indo e vindo infinito” la la la la).
Super Dica: Se você tá dando o seu melhor, tá tudo certo, porque o seu melhor já é suficiente.
E então, com paciência e ação, em breve você não terá mais as recaídas da doença e sim apenas os desafios de um ser humano (percebe a diferença?).
E te garanto: eles serão muito mais fáceis de enfrentar!
Por Ana Maria Saad
Fonte: Anamariasaad