A idade avança, vamos quebrando tabus e colocando obstáculos no chão. Decidimos que não vamos mais remoer sentimentos mal resolvidos e nem jogar mais para conquistar alguém. Decidimos tirar o véu do nosso falso pudismo de sermos difíceis, de esperarmos pela melhor oportunidade, para sermos mais verdadeiros com nossas vontades.
Percebemos que temos menos tempo para fazermos cenas. Vamos amadurecendo e nos tornando adultos. Vamos nos tornando mais práticos em todos os sentidos, porque é mais importante um “não” que vem da alma do outro do que um falso “sim” com pretextos.
Chega daquelas pessoas pelas quais nutrimos alguns sentimentos, mas que querem apenas abusar dos nossos gostares. Chega de súplicas para ficarmos juntos. Chega de procuras sem retorno e de demonstrações sem interesse. Chega de mendigar, pois crescemos! Agora, a vida é a nossa meta mais importante e viver sem medidas é um bem necessário.
Se olharmos para trás, vamos morrer de vergonha de nós mesmos quando, em muitas situações, nos expusemos ao ridículo de suplicar sentimentos do outro, porém foi bom, pois aprendemos que sentimento é a dois e quando algo é de verdade não implora. Guardamos histórias que nos cravaram em dores, e agora é indiferente, porque aprendemos a nos defender das garras de quem nasceu para abusar dos sentimentos dos outros. Me desculpe, mas verdades são doídas.
Não é mais hora de fazer doce com o que temos vontade, podemos fazer tudo, até mesmo nos lambuzar. Vamos desacelerando se ele não está nem aí, pois um pouco de autopiedade é melhor do que chorar escondido de raiva, de vergonha por um fora deslavado ou um não frouxo. Seria tão mais sincero se as pessoas fossem mais diretas, sem “preposições” educadas para nos falar não, porque um “não” de verdade, é melhor do que um talvez que nos causa ansiedade e desapontamento.
Não são mais cabíveis jogos de azar no amor e gostares mal resolvidos. Descobrimos que fomos feitos para vivermos e entregarmos sentimentos para alguém, porém apenas quando esses vêm da alma. Vamos deixando de remoer, de doer para viver e, se alguém não vier, vamos sentir, mas entenderemos mais sóbrios que é melhor estarmos sozinhos do que cultivar um amor mal resolvido ou de fachada.
Deixei as apostas grandes e, se jogo hoje em dia, me custa muito pouco, porque cansei de gastar tempo e sentimento com quem não merece qualquer cuidado meu. Hoje, aposto na bondade que as pessoas carregam, na sinceridade mesmo que doa, nas mãos que afagam as minhas sem qualquer intenção, no beijo bom sem vontade de envolver e com vontade de paixão, no abraço que abraça todo o meu corpo e me ama sem qualquer palavra. E para os amores mal resolvidos, o meu estranhamento, e quando eles aparecem, ainda não entendo, então, às vezes, finjo que não é comigo. Quanto aos gostares flashbacks podem ser bons, mas não resolvem o presente se não têm a intenção de fazer feliz.
Sem jogos, sem amores mal resolvidos, sigamos, porque os meus quinze anos deixei para trás… Sou mulher vivida, detesto recados, não sou meio termo, sou a vontade de me entregar! E você?
Por
Fonte: Caminhos